Estágio Creditas

A questão refere-se à crônica que segue.A compensação Não fa 26588

A questão refere-se à crônica que segue.A compensação   

        Não faz muito, li um artigo sobre as pretensões literárias de

Napoleão Bonaparte. Aparentemente, Napoleão era um escritor frustrado.

Tinha escrito contos e poemas na juventude, escreveu muito sobre

política e estratégia militar, e sonhava em escrever um grande romance.

Acreditava-se, mesmo, que Napoleão considerava a literatura sua

verdadeira vocação, e que foi sua incapacidade de escrever um grande

romance e conquistar uma reputação literária que o levou a escolher uma

alternativa menor, conquistar o mundo.            Não sei se é

verdade, mas fiquei pensando no que isto significa para os escritores de

hoje e daqui. Em primeiro lugar, claro, leva a pensar na enorme

importância que tinha a literatura nos séculos XVIII e XIX, e não apenas

na França, onde, anos depois de Napoleão Bonaparte, um Victor Hugo

empolgaria multidões e faria história não com batalhas e canhões, mas

com a força da palavra escrita, e não só em conclamações e panfletos,

mas, muitas vezes, na forma de ficção. Não sei se devemos invejar uma

época em que reputações literárias e reputações guerreiras se equivaliam

desta maneira, e em que até a imaginação tinha tanto poder. Mas acho

que podemos invejar, pelo menos um pouco, o que a literatura tinha então

e parece ter perdido: relevância. Se Napoleão pensava que podia ser tão

relevante escrevendo romances quanto comandando exércitos, e se um

Victor Hugo podia morrer como um dos homens mais relevantes do seu tempo

sem nunca ter trocado a palavra e a imaginação por armas, então uma

pergunta que nenhum escritor daquele tempo se fazia é essa que nos

fazemos o tempo todo: para que serve a literatura, de que adianta a

palavra impressa, onde está a nossa relevância? Gostávamos de pensar que

era através dos seus escritores e intelectuais que o mundo se pensava e

se entendia, e a experiência humana era racionalizada. O estado

irracional do mundo neste começo de século é a medida do fracasso desta

missão, ou desta ilusão.            Depois que a literatura

deixou de ser uma opção tão vigorosa e vital para um homem de ação

quanto a conquista militar ou política - ou seja, depois que virou opção

para generais e políticos aposentados, mais compensação pela perda de

poder do que poder, e uma ocupação para, enfim, meros escritores - ela

nunca mais recuperou a sua respeitabilidade, na medida em que qualquer

poder, por armas ou por palavras, é respeitável. Hoje a literatura só

participa da política, do poder e da história como instrumento ou

cúmplice. E não pode nem escolher que tipo de cúmplice quer ser. Todos

os que escrevem no Brasil, principalmente os que têm um espaço na

imprensa para fazer sua pequena literatura ou simplesmente dar seus

palpites, têm esta preocupação. Ou deveriam ter. (...)(Luiz Fernando Veríssimo, Banquete com os deuses. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003, pp. 113-14)Hoje a literatura só participa da política, do poder e da história como instrumento ou cúmplice. E não pode nem escolher que tipo de cúmplice quer ser.As duas frases acima articulam-se de modo claro e correto numa única frase, sem prejuízo para o sentido, na seguinte alternativa:

Questão no QuestionsOf: A questão refere-se à crônica que segue.A compensação Não fa 26588

Questões similares